Li no Silvestre que ele achava que Lili tinha sido egoísta com a sua mulher Gerda, não a compreendendo e só pensando nela própria. A análise do Silvestre julgo que se remete apenas à acção do filme e não, como é óbvio, em relação aos transgéneros.
Mas o Silvestre, homem perspicaz como é, foi bater num ponto muito sensível: o putativo egoísmo destas pessoas.
Ao acompanhar inúmeros casos transgéneros apercebi-me que este tópico é muitas vezes abordado.
Nos casos transgénero, quando é aberta a caixa de Pandora não há retrocesso e certamente não há pausas.
Não há pausas para pensar melhor, não há travões porque os que nos rodeiam precisam do seu tempo e de encaixar informação, não há hesitações porque na cabeça do transgénero tudo está bem definido.
Gerda queria ter tempo. Queria manter o seu marido por quem se apaixonou.
Queria parar. Quem sabe voltar atrás.
Lili queria correr contra o tempo. Queria ser uma nova pessoa.
Queria ser aquilo que finalmente tinha percebido ser: uma mulher.
Por várias vezes ouvi familiares de trans pedirem-lhes tempo.
Por várias vezes ouvi familiares de trans pedirem-lhes tempo.
Por várias vezes ouvi trans cansados de estar há muito tempo num corpo errado.
Quem tem razão?
A meu ver a natureza já foi demasiado injusta para aquelas pessoas.
Eles não querem o tempo do passado nem o do presente.
Querem o tempo do futuro.
E rápido!















