sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Anne e Pieter


A Anne é uma mulheraça, alta, grande e a puxar para o forte.
O Peter é um homem franzino, olho azul claro e a puxar para o tímido.
Ela francesa, ele austríaco.
Conheceram-se em Berlim, cidade que agora é o porto de abrigo deste amor improvável.
Quando ela o conheceu, numa produção teatral em Vienna, ficou encantada com ele, pois"ele apresentou-se como assistente social"
Ela estava farta de grandes egos, de birras e manias, de gente altiva. Por isso tinha fugido de Paris e do mundo da moda - área onde começou a trabalhar em nova.
Ele parecia ser o oposto a um grande ego. E era o oposto.
Só que ele também era actor. Assistente social era apenas uma forma de ganhar mais uns trocos.
Mas ela não teve medo. Deixou-se conquistar. Por um actor.
Vão andando entre Berlim, Vienna e Zurique. Na Alemanha de Leste continua a não acontecer nada.
Vivem num apartamento luminoso em Kreuzerg, onde esperam em breve viver a reforma.
Este apartamento está inserido num conjunto de prédios que são geridos em forma de cooperativa.
Depois de se alugar normalmente o apartamento, o inquilino tem que depositar numa conta 5000€, e esse dinheiro é gerido para a manutenção dos prédios. Quando saíres devolvem o dinheiro. 
Fomos almoçar com eles a um restaurante indiano em Kreuzberg. Contaram-nos que a filha dos donos - indiana mas nascida na Alemanha - vai casar no próximo ano. Com um noivo arranjado pelos pais. Dizem que ela está muito apaixonada e que ele é bom rapaz. 
Desconfiei. 
Não acredito nada nestas histórias de amor arranjado. 
Falámos muito de dinheiro vs criatividade. E o quanto em Zurique ou Vienna isso mata a criatividade e a energia da equipa como um todo. 
Falámos nos progressos dos direitos homossexuais em Portugal, nas contestações em França, na hipocrisia do partido fascista Austríaco (o partido que tinha um líder que afinal era gay).
E falámos do próximo encontro. 
Vienna.



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