terça-feira, 1 de novembro de 2016

Dia de Finados

E hoje é dia de romaria ao cemitério.
Há 36 anos que vou à campa do meu pai e há 36 anos que pouco ou nada significa para mim.

Em criança, não tinha a mínima noção do peso do local onde ia muitas vezes ao longo do ano.
Era um espaço livre para correr, para brincar com os carreiros de formigas ou desatar a abrir as torneiras todas do cemitério.

Em adolescente queria era estar com os amigos, revoltava-me aquela estúpida romaria de deposição de flores para que os outros não achassem a minha mãe uma viúva desmazelada.

Jovem adulto, cheguei a ir sozinho chorar quantas vezes na campa dele. Procurava orientação para a minha desorientação sexual ou precisava de alguém que me fizesse os nós de gravata.

Em adulto, vou ao cemitério por apoio logístico à minha mãe.
Nada mais que isso.

5 comentários:

  1. Eu vou todos os anos. Já perdi uma irmã, meu pai e minha mãe. Vou por questões não religiosas ou similares. Vou para celebrar a memória de pessoas q significam muito para mim.

    Beijão

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  2. Cada um tem a sua logística da coisa :) São sentimentos que um dia irás entender melhor :) E, da Nobreza de Ser da tua mãe por nunca esquecer aquele que um dia foi seu marido, mais que tudo e pai do(s) seu(s) filho(s). Tens o S porque não me recordo se és filho único ou não

    Deixo-te um forte Abraço

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  3. Eu mantenho a tradição, mais não seja para acompanhar a minha mãe. Pelo menos tenho a oportunidade de ver alguns vivos, na romaria anual ao cemitério.

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  4. Lidar com a perda não é nada fácil, e imagino por quantas crises vocês passou pela ausência de seu pai.

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  5. Um abraço anfitrião não imagino sequer o que será crescer sem um ascendente. As dinâmicas das visitas alteram-se consoante as nossas próprias mudanças. E quem sabe a visita assuma toda uma nova perspectiva daqui a algum tempo.

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