quinta-feira, 23 de março de 2017

Vou vê-la

Para a semana, vou parar em Istambul.
E estou desejoso de vê-la.
Ela, Marcel, é síria.
Pertence às elites do país e saiu do país antes da guerra deflagrar.
Nunca pensaria em não voltar à Síria. Ou melhor, em não poder voltar.
(faz toda a diferença do mundo)
Conheci-a faz 5 anos, numa das cidades mais parecidas à nossa Lisboa.  Ela estava em Istambul para estudar, já o conflito devastava o país.
Porque o mundo é cheio de coincidências, passadas umas semanas a tê-la conhecido, rumava a Coimbra para o programa Erasmus. Ficou com família minha.
Sempre que passo em Istambul faço questão de ver aqueles olhos carentes mas batalhadores.
É uma mulher cheia de fibra - tem que ser.
Os pais eram de Homs e estão agora em Damasco levando a vida como podem.
Irmãos em Munique. Aquando do Erasmus, foi 27 vezes a Munique.
Claro que falamos muitas vezes da Síria.
Muito clara e contundente, culpa os dois lados da barricada.
"Estão bem uns para os outros!"
Trabalha agora nas Nações Unidas, em Istambul. Não ajuda os sírios - acho que se protege emocionalmente da avalanche síria na Turquia - mas no orgão onde está, ajuda nas questões de género.
Sabe que Portugal é um exemplo. Nos meios das Nações Unidas, sempre ouviu falar no nosso Soft Power, na nossa boa diplomacia, na nossa tolerância, nos nossos progressos sociais.
E remata: "Aproveita e dá valor à bolha cor-de-rosa em que vives. Porque não há muito no mundo"

Homs

3 comentários:

  1. Que beleaz eim? Em que pesem todas as agruras dela.
    Conheci a Síria, inclusive Alepo em 1994.

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  2. Nada como ver a nossa sociedade pelos olhos do outro. São muitos o que se esquecem do que temos de verdadeiramente bom. :)

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