segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O eterno triste da casa de banho

Ao ver estas fotos do fotografo Marc Martin lembrei-me de um pobre coitado que numa casa de banho do aeroporto de Lombok, ao sair do urinol, passou rente, mas mesmo rente, a todos os outros homens enquanto espreitava e tentava ver as ditas cujas.
Aquele homem, num país de larga maioria muçulmana em que a homossexualidade é punível com morte, estava desesperado por ver uma simples pila a urinar. Não. Não era um fetiche dele, um jogo de sedução, uma aventura. 
Era uma ansiedade extrema. 
Um nervosismo imenso.

Uma necessidade.

Não fiquei com repulsa ou nojo daquele individuo. Fiquei com muita pena por ele sentir ânsia de fazer aquelas aflitivas figuras de desespero.
Depois cá fora, junto à porta de embarque olhava para ele e sentia-o triste e perdido. 
E o pior é que não era uma tristeza momentânea, era uma imensa tristeza eterna.

Eterna, tanto quanto a sua vida durar.





3 comentários:

  1. Complicado em alguns países o engate entre gajos :(

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    1. Mas não se trata apenas do engate. isso é o menos. é um vida toda sem puder ser livre, sem puder ser quem tu realmente és, ser mal tratado por todos, e acima de tudo não puder amar. algo tão simples e básico.

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Lyon

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